Últimos Artigos
Mostrando postagens com marcador Humor Paranormal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Humor Paranormal. Mostrar todas as postagens
A pesquisa "Becoming a Vampire Without Being Bitten: The Narrative Collective Assimilation Hypothesis," publicada no Psychological Science, jornal acadêmico da universidade, atesta a hipótese de que ao absorver as narrativas não há diferença psicológica entre viver e se entregar a um livro, de modo que podemos nos tornar membros do grupo de personagens lá descritos.
Os autores Shira Gabriel, PhD e Ariana Young, são pesquisadores de psicologia social da Universidade de Buffalo e também descobriram que este senso de pertença que se desenvolve durante a leitura provoca o mesmo sentimento de satisfação e felicidade que alguém teria se de fato fizesse parte do mundo descrito.
"A conexão social é uma necessidade humana básica e sempre que nos sentimos conectados a outros nos sentimos bem em geral e satisfeitos com nossas vidas. Nosso estudo demonstrou que a assimilação de uma narrativa permite que nos sintamos próximos a outros no conforto de nosso próprio espaço e segundo nossa própria conveniência.(...) Nossos dados mostram que isso gera um aumento da satisfação e do bom humor, que são duas das consequências diretas do sentimento de pertença.", revelou Gabriel ao Psychological Science.
Para testar a hipótese Gabriel e Young requisitaram que 140 formados da Universidade de Buffalo lessem por 30 minutos/dia dois livros bastante populares: "Crepúsculo" e "Harry Potter e a Pedra Filosofal." Depois os participantes responderam uma série de questionários que atestaram suas respostas conscientes e inconscientes as narrativas.
Os resultados foram claros, entrevistados que leram "Harry Potter" identificaram a si mesmos , tanto consciente como inconscientemente com magos ao passo que aqueles que leram "Crepúsculo" adquiriram a identificação psicológica dos vampiros. Eles não apenas se sentiram conectados com os personagens, como era esperado, mas também adotaram padrões comportamentais, atitudes e traços de personalidade que consideraram realistas, deixando de lado a parte de sugar sangue e voar em vassouras.
O estudo sugere que os livros nos dão mais que uma oportunidade para submergir em um mundo de fantasia. Eles nos dão também a chance de nos sentirmos pertencer a algo maior que nós e colher os frutos psicológicos de fazer parte de um reino amplo sem a necessidade de um encontro social de verdade.
É claro que quando entramos em uma narrativa, seja em um livro, filme ou série de TV, nós não nos tornamos Harry ou Bela, mas nos tornamos de fato parte de seus mundos. Isso nos faz sentir bem e pode de fato afetar nossa personalidade e comportamento. Já era um fato amplamente conhecido na psicologia que nós mudamos nosso comportamento quando estamos entre um grupo de amigos para nos tornar mais semelhantes a eles. Agora sabemos que isso também ocorre quando lemos um livro.
Eu morri no dia 25 de janeiro de 1997. Sim, foi isso mesmo que eu disse. Eu morri. Posso dizer com todas as palavras que nasci em São Paulo e morri aqui, na terra da garoa.Antes de começar, quero me apresentar. Meu nome é Rafael. Bem, na verdade não é Rafael. Só coloquei esse nome porque se minha mãe descobrir que estou escrevendo para outras pessoas e não estou escrevendo para ela, ela me mata, ou melhor, me reencarna.
É estranho ser um fantasma em São Paulo. Já estou aqui nessa cidade perambulando há onze anos. Quem diria. Onze anos depois eu estaria aqui escrevendo essas felizes palavras.
Morri de uma doença que ataca grande parte dos paulistanos: O famoso estresse. Briguei com meu chefe porque ele me colocou para trabalhar no feriado. Sai bufando pelo elevador. Entrei no meu carro e sai em disparada, voando baixo, com o ponteiro quase chegando a 20 km/h na Avenida Paulista em horário de rush. Coração batendo a mil por hora, gravata apertada, barriguinha de chop e nenhum exercício físico.
A última coisa que me lembro quando estava vivo foi de ter parado no cruzamento da Avenida Paulista com a Alameda Campinas. Todo mundo buzinando, me xingando... Quando eu ia gritar um "filho da P..." cai duro em cima do volante.
Tentaram me levar para o Hospital do Coração. Hi... sem chance. Quando me dei conta vi toda a minha família chorando no meu enterro. Cemitério da Consolação. Coisa fina. Família rica cheia da grana, com uma dúzia de tias que ficaram chorando, soluçando, fingindo que gostavam de mim e aquela pirralhada mimada apagando as velas do meu túmulo. Pensando bem, eu to bem melhor aqui desse lado.
É ai que está a graça de ser um fantasma em São Paulo.
Outro dia, estava eu sentado sobre meu túmulo, pensando na morte, quando ví um pessoal fazendo uma excursão pelo cemitério. Pensei comigo "Esses caras são loucos. O que eles querem ver dentro do cemitério?". Segui a turma. Havia um guia turístico levando eles por um passeio pelo cemitério. Foi ai que eu descobri que estou enterrado há duas lápides de Monteiro Lobato. Quem diria. Um dos rapazes fez um comentário com a turma: "imaginem, ser enterrado do lado do Monteiro Lobato?". Pois é. Eu sei como é... Eu sou o cara!
É uma beleza. Sai do cemitério todo cheio de orgulho. Eu, do lado do Monteiro Lobato! Quem sabe eu não o encontro por ai para bater um papo?
Hi, mas acho que vai ser difícil. Ele já deve estar no céu faz tempo! Eu to esperando aqui há onze anos porque o Poderoso está cheio de gente pra julgar. E o pior é que tem a turma que fura fila. Até aqui tem isso! Os bandidos, assassinos e maníacos passam na frente de todo mundo! Nem na morte a gente é respeitado! Bom, apesar que essa turma só vai rápido porque o Poderoso já sabe para onde vai mandar essa gente... não tem nem o que pensar...
Mas sabe o que eu acho mais incrível em São Paulo? É poder me sentir vivo mesmo estando morto. É sério! Outro dia eu estava na praça da Sé, andando, numa boa, e esbarrei numa moça. Ela só virou o ombro e passou correndo. Ela estava com tanta pressa que nem olhou quem bateu nela. A multidão em São Paulo anda com tanta pressa que esquece de olhar para as pessoas. Muitas vezes me senti sozinho no meio de uma multidão. Engraçado, né? É como se eu estivesse vivo na cidade.
Hoje eu estou aqui, esperando minha senha pra falar com o Poderoso. Enquanto isso eu fico aqui, na Avenida Paulista, no prédio onde eu trabalhava, assombrando meu ex-chefe. De vez em quando eu dou uns assobios no ouvido dele, derrubo uma caneta e reviro alguns papéis. Mas vocês acreditam que ele acha que é o ar condicionado? Outro dia ouvi ele falando de mim para os novos funcionários. Quase chorei. Não é que aquele poço de agressividade tem coração? Vocês acreditam que ele vem me visitar todo dia de finados? A vida e a morte pregam cada peça na gente...
Pois é. Daqui desse lado eu consigo ver melhor a dimensão das coisas. Mas não tem jeito. Eu não paro de reclamar de São Paulo, mas nem pense em falar mal da cidade perto de mim! Outro dia, um fantasma carioca veio falar que "Assombração paulistana trabalha até com paletó de madeira". Ignorei a provocação e sai por cima. Mas não é que ele tem razão? Vou voltar para minha tumba e deixar a morte passar... Já trabalhei demais. Boa vida para todos!
Assinar:
Comentários (Atom)

